Notícias » Terras indígenas iniciam plantio da safra 2012 com apoio da Usina Mauá

Publicado em 15/10/2012

Uma equipe de engenheiros agrônomos está coordenando o trabalho de preparo do solo para o plantio das safras deste ano nas comunidades que fazem parte do Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina Hidrelétrica Mauá para a questão indígena. Serão 425 hectares plantados nas oito terras indígenas: Mococa, Queimadas, Apucaraninha, São Jerônimo, Barão de Antonina, Posto Velho, Laranjinha e Pinhalzinho. A expectativa é de que a produção alcance cerca de 80 toneladas, que serão utilizadas para o consumo das famílias e formação de um banco de sementes, além da comercialização do excedente.

 

O plantio das sementes será iniciado neste mês. O engenheiro agrônomo Gilberto Shingo, que coordena o trabalho, conta que a definição das culturas (feijão, milho e arroz) foi feita pelos próprios indígenas, em oficinas realizadas em todas as comunidades. Para a execução do trabalho, o Consórcio Energético Cruzeiro do Sul (integrado pelas empresas Copel e Eletrosul e responsável pela implantação da Usina) vai fornecer as sementes e contratar equipamentos e mão-de-obra - que inclui pessoas das próprias terras indígenas. “Serão utilizados métodos orgânicos de produção agrícola com o objetivo de melhorar as condições de saúde e nutrição das famílias”, acrescenta o agrônomo. Cada terra indígena formou um comitê gestor que vai acompanhar o trabalho para aplicar também nas próximas safras as orientações técnicas recebidas.

 

O plantio faz parte do Programa de Apoio às Atividades Agropecuárias. Além dele, o PBA inclui programas como o de articulação de lideranças indígenas, vigilância e gestão territorial, recuperação de áreas degradadas e proteção de nascentes, melhoria da infraestrutura, fomento à cultura e às atividades de lazer, monitoramento da fauna e da qualidade da água. Além dos engenheiros agrônomos, a equipe do Consórcio Cruzeiro do Sul conta com antropólogos para desenvolver os programas.

 

No processo que culminou com a elaboração do PBA, cada família definiu de quais programas gostaria de participar. “Mas a produção de alimentos vai contemplar todas as famílias por meio da agricultura coletiva”, ressalta Shingo. Além do acompanhamento técnico, o Projeto Básico Ambiental prevê a compra de equipamentos para que as comunidades indígenas possam desenvolver as atividades agropecuárias.

 

A Usina Hidrelétrica Mauá fica no rio Tibagi, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira, na região central do Paraná. O empreendimento está em fase final de construção e deve entrar em operação ainda este ano. Com potência instalada de 361 megawatts, ele vai produzir energia suficiente para atender ao consumo de 1 milhão de pessoas.